terça-feira, 30 de agosto de 2011

Oeufs en Cocotte



Inspirada pelas deliciosas imagens do La Tartine Gourmande e pela paixão com que a autora (Béa) fala de ovos - com especial destaque para os cozinhados en cocotte - rendi-me à inevitabilidade de experimentar esta forma de os preparar, tão cuisine française, tão Ratatouille.

A receita é extremamente versátil e o segredo principal será dar asas à imaginação de modo a criar combinações de ingredientes sempre diferentes.

A base, para além de um par de cocottes, são os ovos - claro. Depois, um pouco de manteiga para untar; um toque de natas para aveludar; sal, pimenta e noz-moscada para temperar; ervas frescas ou secas para aromatizar, e uns fios de queijo ralado para gratinar.
Ficam a faltar os ingredientes 'de fundo' que, ao variar, permitem apresentar um prato sempre diferente, de modo a agradar a gostos diversos e a adaptar-se a variadas ocasiões: bacon, fiambre, salmão fumado, alho francês, courgete, cogumelos... Qu'est-ce qu'on mange, ce soir?

Assim, num fim de tarde da semana passada - enquanto a pipoca aproveitava os últimos dias das férias de verão na casa dos avós (OBRIGADA AVÓS!) - com a cozinha mergulhada numa tranquilidade pouco habitual, pude apurar o ouvido e escutar os conselhos e sugestões que o Rémi, empoleirado no meu ombro, me ia sussurando...


Oeufs en Cocotte

(para 2 cocottes)
margarina - para untar as cocottes
2 faias de salmão fumado
2 colheres de sopa de natas
sal, pimenta e noz moscada a gosto
cebolinho seco picado
mistura de queijos ralados especial para gratinar

Pré-aquecer o forno a 200º, com um pirex com água até meio lá dentro (no qual depois vão ser colocadas as cocottes).
Untam-se as cocottes com a margaina e forra-se o fundo e os lados com o salmão em
pedaços.
Deita-se meia colher de sopa de natas em cada cocotte e abre-se um ovo por cima.
Cobre-se com mais meia colher de sopa de natas em cada cocotte.
Tempera-se - atenção que o salmão fumado já é salgado o suficiente.
Polvilha-se com o cebolinho seco picado e com um pouco de queijo ralado.
Leva-se ao forno (dentro do pirex com água - já quente) por cerca de 10 a 15 mins,
dependendo do ponto em que se pretendem os ovos (mais ou menos firmes).



Foram servidos com salada e umas batatas Mrs. Anna, das quais já tínhamos saudades.

Uma ideia original!




Utilizar um daqueles recipientes japoneses em bambu, para cozer ao vapor, para guardar os alhos e as cebolas. São produtos que devem ser mantidos num local seco e arejado e estes recipientes são ideais para isso. Além de ficarem um espectáculo no balcão da cozinha!

Dica publicada no fantástico e útil The Kitchn, ideia original da Martha Stewart.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Pão Semi-integral com Melaço e Flocos de Aveia


Ontem voltei a fazer pão!

Era já 1:00 da manhã quando o tirei do forno, mas o cheiro e a sensação de segurar o pão quente nas mãos, fizeram com que a espera e o cansaço valessem a pena.
Já não me consigo lembrar de quando tinha sido a última vez, sei apenas que passou demasiado tempo!

Foi mais uma daquelas receitas que não me deu hipótese. Descobri-a no Orangette e percebi que era uma questão de tempo - pouco tempo - até experimentá-la. Um pão semi-integral que inclui flocos de aveia e melaço na lista de ingredientes, não é algo a que eu consiga resistir, por isso nem sequer tentei.

À custa dos ingredientes para o pão, ainda protagonizei uma daquelas cenas completamente surreais, à moda da Bridget Jones.
Aproveitei a hora do almoço para tratar das compras e, ao fim do dia, quando atravessava o átrio do edifício onde trabalho para me dirigir à saída, não sei bem como, deixei cair o frasco de melaço ao chão! O 'pôôc' que ouvi fez-me logo temer o pior, mas como à primeira vista parecia intacto, arrisquei apanhá-lo.
Assim que agarrei o frasco para o levantar do chão, senti-o a desintegrar-se e o melaço a começar a escorrer para fora. Por umas fracções de segundo avaliei as possibilidade e visualizei a poça negra pegajosa que se iria formar ali mesmo no meio do átrio, se eu não agisse depressa.
Levantei o frasco. Hesitei um pouco e pedaços de vidro começaram a soltar-se, enquanto o melaço começava, viscoso, a escorrer-me pela mão.
Em passo acelerado, decidi atravessar o átrio para tentar chegar à casa de banho mais próxima, torcendo para que ninguém me visse naquela triste figura... A meio do caminho a situação agravou-se e tornou-se impossível agarrar no frasco com uma só mão. Em desespero, atirei com o frasco para dentro do saco das compras, começando a mancha negra rapidamente a cobrir tudo o que lé estava dentro.
Quando chego à casa de banho já tinha melaço nas duas mãos, nas calças e na camisola.
Enfim... o saco foi inevitavelmente para o lixo, juntamente com 3 maçãs que ficaram cobertas por uma argamassa de melaço e vidro. O resto salvou-se porque estava tudo embalado. O pior foi limpar as mãos, pois quando tentava esfregar sentia pedaços minúsculos e invisíveis de vidro a arranhar a pele... Enfim, não foi bonito, mas deu uma história original para contar aqui!

Depois foi só ir buscar a 'pipoca' à escola, passar pela Decathlon a comprar um chapéu-de-sol para o piquenique na praia no próximo Sábado, voltar para casa, dar banho à minorca, preparar-lhe o jantar enquanto respondia à rajada de perguntas que ela agora dispara continuamente, ouvir as últimas canções que aprendeu e assistir aos passos de dança mais recentes... (uff... dias complicados estes em que o papá tem escola e nos deixa sozinhas...!) E pude enfim dedicar-me... AO PÃO!


Pão Semi-integral com Melaço e Flocos de Aveia


2 colheres de chá de fermento de padeiro seco (Fermipan)
3 colheres de sobremesa de melaço
2 chávenas de água morna
300 gr de farinha de trigo integral
254 gr de farinha de trigo (T55 ou T65)
1 chávena de flocos de aveia
56 gr de manteiga sem sal, derretida e arrefecida
2 ¼ colheres de chá de sal

Untar uma tigela grande e uma forma rectangular (+/- 23 x 13 x 8 cm).

Na tigela da batedeira deitar a água morna, o fermento e o melaço. Mexer brevemente e deixar repousar por 5 mins.


Acrescentar as farinhas, a aveia e a manteiga envolvendo tudo. Cobrir com um pano e deixar repousar por 30 mins.

Juntar o sal e bater por 6 minutos em velocidade média (usando o gancho apropriado para massas). A massa deve soltar-se das paredes da tigela com relativa facilidade, se necessário acrescentar mais 1 ou 2 colheres de farinha, deitando-as entre a massa e as paredes da tigela.

Deitar a massa para uma superfície ligeiramente enfarinhada e amassar um pouco à mão. Colocar na tigela previamente untada, cobrir com um pano e deixar levedar cerca de 1h ou até ter duplicado de volume.

Voltar a deita a massa para uma superfície enfarinhada e pressionar de modo a formar um quadrado e ir fazendo sair o ar produzido durante a levedação. Dobrar a massa, trazendo o topo do quadrado até ao centro do mesmo e depois a base também até ao centro. De seguida, voltar a dobrar ao meio, unindo o topo com a base, pressionando para unir.


Rolar para a frente e para trás, de modo a uniformizar e dar o tamanho necessário para caber na forma.

Colocar a massa na forma, cobrir com um pano e deixar levedar novamente cerca de 1h ou até duplicar de volume.



Pré-aquecer o forno a aproximadamente 205º.

Assar cerca de 40 minutos, rodando a forma a meio do tempo. A crosta do pão deverá ficar com um tom dourado escuro.

Retirar o pão da forma e deixar arrefecer completamente sobre uma rede, antes de cortar.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Molho de Tomate Básico [ou nem tanto]


Este molho é viciante!



Eu pelo menos não consigo parar de o fazer, uma e outra vez, principalmente nesta altura do verão em que tomates vermelhos e rechonchudos praticamente saltam para o nosso cesto quando passamos por eles no supermercado... (O quê? Nunca vos aconteceu...???)

Depois de feito, o céu é o limite!
Para acompanhar uma pratada de esparguete (shlep!), em cima de uma pizza (nham!), para cozinhar almôndegas ou uns lombinhos de maruca (huuum!)
Ou então... Escalfem um ovo no molho e comam simplesmente com a ajuda de uma bela fatia de pão (se soubessem as recordações que isto me trás). Vão desfazendo o ovo com o pão e lambendo os dedos. Quanto maior a lambuzice, melhor sabe!

Bom, e agora se calhar... dou a receita:



2 cebolas médias
3 dentes de alho
40 gr de azeite
2 cenouras médias
400 a 500 gr de tomate pelado e em pedaços
1 folha de louro
1 colher de café de sementes de coentro
sal [preto do Hawaii]
folhas de mangericão fresco

Aquecer bem o azeite e alourar as cebolas e os alhos picados, em lume forte.
Juntar as cenouras aos cubos, reduzir o lume e deixar estufar por 5 ou 6 minutos.
Adicionar o tomate, temperando com um pouco de sal, o louro e as sementes de coentro esmagadas. Tapar e deixar cozinhar em lume baixo durante, pelo menos, uns 15 ou 20 minutos.
Caso comece a secar demasiado e a querer pegar, ou no caso de se pretender um molho mais líquido, juntar um pouco de água ou vinho branco, rectificando os temperos.
Retirar do lume, descartar o louro e triturar (atenção que está quente e salpica bastante). Servir com mangericão fresco picado.


Hoje este molho chegou à mesa a aconchegar um belo prato de esparguete, animado por um sauté de cogumelos (U-lá-lá!) e umas piceladas de parmesão ralado.

Confort food perfeita para uma noite de Julho bem amena. A forma ideal de dar o dia por encerado.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Midsummer Night's Strawberry Cake

O bolo de morango que fiz seguindo a receita publicada no Smitten Kitchen não me saiu mais da cabeça.

Já se sentiram perseguidos pela lembrança de um bolo? É algo terrível!!!

Como tal, não tive outra hipótese senão comprar mais morangos e deitar mãos (e depois dentes) à obra!

E apesar de não ter sido exactamente numa 'midsummer night', era já bem tarde quando os ingredientes se começaram a alinhar no balcão da cozinha e o meu sonho se começou a tornar realidade...



















O cheiro que enche a cozinha quando os morangos polvilhados de açúcar começam a borbulhar dentro no forno só é superado pelo sabor da primeira fatia.

E depois, já sabem, num piscar de olhos o bolo desaparece...

Swift as a shadow, short as any dream;
Brief as the lightning in the collied night.

sábado, 11 de junho de 2011

Um Bolo de Verão [com morangos]



Voltar a entrar na rotina depois da semana de férias em que estivemos fora tem sido duro.
A ajudar, mais uma das amigdalites bomba da 'pipoca', ainda mal refeita da varicela que acertou em cheio nos dias em que a deixámos com os avós e fugimos para a ilha.

Pouco a pouco e sem grande convicção, lá se foi voltando a encher o frigorífico e a despensa. Na quinta-feira passada, antes do fim-de-semana de 4 dias pelo qual ansiei como se não tivesse férias há mais de um ano, chegaram cá a casa estes morangos.



Pensei que acabariam numa taça com um pouco de açúcar e regados com sumo de limão, já que não havia ânimo para nada muito mais elaborado, mas o universo reservava-lhes um destino diferente...

Com a semana a acabar e a promessa dos feriados de Junho no horizonte, fui tomando consciência de que também a Primavera caminhava a passos largos para o fim, e com ela os morangos (pelo menos os nacionais e da época) com os quais eu ainda não tinha feito mais nada além de os devorar à dentada.

Entretanto, e como que para espicaçar, o Smitten Kitchen publica uma receita de Strawberry Summer Cake, de aspecto irresistível (pelo menos para mim).
"Fearless cooking from a tiny kitchen in New York City" é aquilo a que o Smitten Kitchen se propõe. Eu, sempre que o leio, imagino um apartamento minúsculo tipo Seignfeld ou Friends, o que torna ainda mais extraordinários os pratos apresentados no blog!

Quanto ao Strawberry Summer Cake era, sem tirar nem pôr, exactamente o que eu andava à procura! A caixa de morangos no frigorífico tinha o destino traçado!


Um Bolo de Verão [com morangos]



85 gr de manteiga sem sal, à temperatura ambiente, mais um pouco para untar a forma
1 1/2 chávena (188 gr) de farinha
1 1/2 colheres de chá de fermento
1/2 colher de chá de sal
1 chávena (200 gr) de açúcar - reservar 2 colheres de sopa
1 ovo
1/2 chávena (118 ml) de leite
1 colher de chá (5 ml) de essência de baunilha
450 gr de morangos, lavados e cortados ao meio

Pré-aquecer o forno a 180°C.

Untar uma forma redonda com cerca de 25 cms.
Misturar a farinha, o fermento e o sal.
Bater a manteiga e o açúcar até obter uma mistura esbranquiçada e fofa (cerca de 3 minutos na batedeira eléctrica). Juntar o ovo, o leite e a baunilha, deixando incorporar bem. Juntar gradualmente a farinha, até obter uma consistência macia.
Deitar na forma untada, dispondo por cima os morangos com a parte cortada voltada para baixo. Colocá-los o mais próximo possível um dos outros, numa única camada.

Polvilhar com as 2 colheres de açúcar anteriormente reservadas.
Assar 10 mins. e reduzir a temperatura do forno para 165°, deixando assar até dourar - cerca de 50 a 60 minutos.

Deixar arrefecer na forma.




O bolo é macio e guloso. Não é demasiado doce, é-o na medida exacta! Os morangos, depois de uma hora no forno, desfazem-se na boca.

Diz-se que o bolo se conserva por dois dias, sem precisar de frigorífico, mas isso é sem dúvida um mito urbano nova-yorquino, pois jamais um bolo como este durará tanto tempo... (shlep)!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Batatas Mrs. Anna



A história, do tempo da 2ª Guerra Mundial, foi contada no Mesa para 4.

A receita parece ter sido trazida da Alemanha por uma Mrs. Anna, que a terá aprendido com a mãe que, durante a 2ª Guerra Mundial - como tantas outras donas de casa europeias - tinha que usar a criatividade para fazer face à escassez de recursos recorrendo a receitas simples com ingredientes económicos.

'Cheirou-me' logo que estas batatinhas deviam ficar deliciosas e experimentei assim que pude.

Hoje ao jantar cá em casa viajou-se, então, ao passado e foram cozinhadas batatas do tempo da guerra. À receita original introduzi 2 alterações: alho picado, logo de início e tomilho perto do final.

Veredicto: magníficas!


Batatas Mrs. Anna
(para 2 pessoas)



4 a 5 batatas médias - roxa ou para fritar
3 colheres de sopa de água
2 colheres sopa de azeite
3 dentes de alho picados
sal e tomilho q.b.

Descascar, lavar e cortar as batatas em palitos grossos.
Distribuir numa frigideira, temperando com o sal e o alho picado. Deitar por cima a água e o azeite.



Deixar cozinhar em lume brando, com tampa, mexendo (cuidadosamente) de vez em quando.

Quando começarem a corar, polvilhar com tomilho e deixar saltear mais um pouco.




Estas que aqui estão serviram hoje de acompanhamento a uma perna de perú da qual falarei outro dia...